terça-feira, 24 de maio de 2011

Um dia quis ser um Leão


Quando acordei e tive noção de mim mesmo, estava com frio e enroscado ao pé da minha mãe e manos, num beco de uma cidade qualquer. E só me lembro de ser puxado por uns jovens humanos que me tiraram do meu conforto pela cauda, bateram-me no focinho. Lembro-me de querer ser algo mais, de ter força e lutar, só mais tarde que queria ser um leão, mas naquele momento era apenas um gatinho com alguns meses de vida indefeso.
Deixaram-me num arbusto, preso pelas patas, a morrer de frio. Já não sentia o focinho e deixei-me levar pelo frio de New York em janeiro. Morrer no Central Park, não é uma morte qualquer.

Foi quando a vi, de cabelos ruivos, uma humana ouviu um miar meu e veio me salvar. Com todos os cuidados tirou-me do arbusto, colocou-me dentro do casaco dela e levou-me para casa. Lembro-me de enroscar a minha cabeça pequeno contra a sua barriga, e ela ri-se com cócegas.
Quando cheguei a casa ela colocou-me ao pé da lareira e acho que adormeci e estou a sonhar há mais de 5 anos.

Estou com 5 anos, já mudei de casa, para Los Angeles, e nunca mais tive frio. Agora um gato de 5 anos, cinza malhado, de olhos cor de um azul cristalino tenho uma vida feliz ao pé da humano que sempre amei. Nunca mais tive de quer ser um leão, agora posso ser quem eu sou, um gato que gosta de bolas de lã vermelhas, ver a minha humana a estudar para brincar com as páginas dos livros dela, e ainda de brincar no jardim da casa, com as flores.

Agora que estou livre, sinto-me preso ao amor que tenho por ela, mas quando estive preso, nunca me tinha sentido tão só.

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