terça-feira, 24 de maio de 2011

Quando o Amor acontece


Primeiro foi o toque dos nossos indicadores, e cruzamos os dedos, dando as mãos. Aproximei-me, e deitas-te a tua cabeça no meu peito. Podias ouvir como ele acelerado e não conseguia parar.
Olhas-te para mim. Sorris-te. E quando ias para falar, eu coloquei meu dedo na tua boca, e tocando no teu cabelo, que exalava aromas citrinos, e beijei-te.
Primeiro um leve tocar de lábios, depois envolvi a minha boca na tua, e a minha língua procurou a tua levemente. Diminui-mos de intensidade e um pequeno beijos nos separou.
Estava em euforia, por te amar.
Estava em euforia, por saber que tu também me amavas.
Agora, depois do casamento, filhos, netos, ponho rosas na tua campa, ansiando por uma velhice terminal para voltar para perto de ti, e ser feliz eternamente.

A Queda


Desisti.
Aí comecei a cair sem parar. Pessoas nas janelas olhavam para mim espantados. Um grupo grande de pessoas lá em baixo esperavam eu cair no chão.
Foi quando em bati no chão.
Todos meus ossos estalaram e partiram perfurando todos meus orgãos, fazendo-me sangrar pela boca. Meu crânio estava partido, meu cérebro estava vísivel. Meus olhos já não tinham o brilho de outrora.
Foi quando acordei.
Estava no hospital em choque. Tu tinhas-me agarrado no último segundo e me beijado com teus lábios quentes, e eu ao cair em realidade, desmaiei.
Quando abri os olhos, estavas tu sentada a um canto chorando.
Não sei como será minha vida, mas sei que agora tenho algo para me dar força para viver, e quando as forças forem abaixo, tu me beijarás trazendo-me de volta ao nosso mundo.

Uma Poça de Sangue


Foi à medida que ia caindo que tive a noção que ia morrer. O cheiro a pólvora, e o chumbo cravado no meu peïto não deixam qualquer dúvida.
Mas não foi como eu esperava. Não foi digno. Tudo por causa de uma carteira com poucas notas, e um tiro me levou com ele.
Mas não foi como eu esperava. Nenhum anjo me levou. Nenhum diabrete me levou. Apenas fiquei eu no chão, num beco qualquer olhando em volta no chão vendo uma poça de sangue à minha volta.
Comecei a ficar com sono, minhas pestanas queriam se fechar, mas eu tentei combater. Meu coração queria desistir, não por falta de vontade mas por falta de combustível e força.
Perdi. No fim de tantas vitórias, perdi. Fechei os olhos e mais nada aconteceu.
Depois da minha morte muitas lágrimas foram derramadas, muito negro foi vestido, e apenas um sorriso ficou, o de um rapaz mal afortunado que viu umas notas na minha carteira e vai dormir com muitos pesadelos.
Isto não é assombração, eu não quero mal, como ele me fez a mim. A única coisa que ainda me pergunto é, porquê eu?
Agora debaixo de terra, meu corpo se decompõe, deixando a nu toda a natureza do meu corpo, e colocando-me no fundo da cadeia alimentar. E é assim que fico. Para sempre.

Paixão Luso-Brasileira

Uma lágrima chorosa, caí do pranto das mulheres que no cais ficam a ver seus maridos, indo embora, sem bilhete de vinda. Partiam os nobres pescadores, orgulhosos do seu trabalho, numa casca de noz, rumo a destino incerto, à procura de um cheiro de canela e das demais especiarias. Depois do cheiro a morte na sua barcaça, aportavam no que seria uma Índia desconhecida. De penas na cabeça, confuso ao ver tais personagens chegando, os povos que um dia se tornaram irmãos, abraçaram o desconhecido e criaram novos horizontes.

Do outro lado do Atlântico, o pranto de falsas viúvas, inspiravam as bases do fado e da saudade. E em igrejas, preces era dadas a Deus sem esperarem um sim prometido.

O Fado, um xaile nas costas, uma música que brasileiro não dança. Portugal fazia história, não na História, mas sim nas histórias dos corações de um povo que tinha crescido emocionalmente, culturalmente e demograficamente ao acrescentar todo um povo irmão que, talvez nem sempre da melhor maneira, ajudavá-lo a crescer e desenvolver como uma potência mundial, coisa que o Brasil é agora.

E é agora, ao som de Deolinda que eu me recordo de vidas passadas, não Minhas, mas Nossas.

Alma de Gelo


Entrei em casa. O cheiro a canela invadiu o meu coração, e o calor da lareira, aconselhava a sentar e esperar pela hora certa. Mas ela nunca chegava. Eu nem sabia se realmente havia uma hora certa...

Foi então que ouvi, o som estridente de uma campainha tocada ao de leve. E ao abrir a porta a desilusão marcou o momento. Em vez do teu aroma a frésias doces, apenas o cheiro do monóxido de carbono enchia o ambiente de um pesado semblante. Apenas o carteiro. Não eras tu.

Agora, com a corda ao pescoço, e balançando os pés, me arrependo de não te ter procurado. De ter desistido. E de um último grito de desespero e encurralo, uma lágrima cai no chão.

E foi assim que minha alma gelou sem antes se ter aquecido ao teu lado.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Riso à Chuva



Estava a sair da festinha. Era de noite. Muito vento. Começou a chover. Eu não sentia frio. O vento batia-me na cara. A chuva molhava-me todo. E eu parei. Comecei a rir, sem parar. Da minha vida. Dos meus problemas. E ria. Do meu futuro, do presente. De Ti. Da minha indecisão em Ti. Da Tua indiferença em mim. A Natureza ajudava a pensar. Quando dei por mim estava sentado no meio da rua. À chuva. Sozinho. A rir.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As Canetas de Tinta Verde

Qual o mal de escrever a chocolate? Será que incomodo? É difícil de aceitar que quero chegar á perfeição? Que quero continuar o caminho da Vida, intercalando passos de dança com momentos melodrámaticos, ou de comédia expressando aquilo que sinto, ou não.
Tenho pena deles desses que escrevem a caneta verde... Verde de Inveja, talvez...